Na cadeia produtiva da carne, se definirmos os produtores como o elo central da figura, poderíamos dizer que é um elo com alta rivalidade entre seus concorrentes, pela quantidade de produtores existentes. Já existem no Brasil mais de 3.000 propriedades exercendo essa atividade. Com rebanhos de mais 180 milhões de cabeças. Por isso ela é considerada uma potência mundial que gera várias tendências ao seu redor.

No mercado mundial, estamos entre os maiores exportadores. Alguns países possuem vantagens competitivas em preço e qualidade, e outros somente em preço.

O poder de barganha também de compradores não é elevado. As três maiores indústrias do setor adquirem algo próximo a 43% das compras de animais. No entanto, há algumas regiões onde certas industrias são mais concentradas. Com mais de 70% de abate entre os três maiores, resultando em maior poder de barganha. Nas importações de carne também há uma tendência pelas exportações da China.

Quanto ao poder de barganha de fornecedores podemos citar que há uma alta competitividade instalada nesta indústria. Além da grande diversidade de insumos, estes na maioria, não possuem grande representatividade nos custos. Ou seja, mesmo se houvesse uma concentração em um determinado insumo, não haveria grande impacto no custo da produção.

Uma ameaça periférica a ser observada é a indústria de suplementação. Que representa um dos custos relevantes da produção e tem se concentrado na última década. No entanto, hoje, esta é uma indústria muito competitiva que também traz vantagens. Pois beneficia o país com novas tecnologias que ainda não encontramos por aqui.

Este elo também se caracteriza por não possuir uma grande barreira de entrada para novos concorrentes. Uma vez que as fazendas de pequeno e grande porte podem ser produtoras de gado de corte. Os investimentos para a entrada no setor não são grandes, assim como a tecnologia para se tornar um produtor não é elevada.

Para enfatizar e entender melhor as tendências desse mercado devemos trabalhar outros aspectos como:

  • Tendência tecnológica;
  • Tendência regulatória;
  • Tendência sociais e culturais;
  • Tendência socioeconômica;

Tendências tecnológicas

Dentro da porteira, as principais tendências tecnológicas estão relacionadas com a intensificação do setor, com ferramentas de gestão e com o aumento da produtividade. Muita força externa vem empurrando a pecuária para a aquisição de tecnologias. Dentre elas, podemos citar o melhor uso da terra, as pressões ambientais e econômicas.

Sobre o uso da terra, observamos um crescimento da atividade agrícola que por intensificar o uso da terra, aumentou a rentabilidade. Desta forma, a pecuária tem duas opções de ceder para a agricultura ou intensificar com a maior produtividade por área e por animal.

Do lado ambiental a uma grande pressão para a redução das emissões de carbono e evitar a abertura de novas áreas. Ambas levam o produtor para a intensificação.

Também devemos observar as ameaças tecnológicas que estão chegando ao setor, como as carnes de laboratório e as tentativas de criação de carne vegana.

As ferramentas de gestão também estão trazendo uma nova perspectiva de negócios para o produtor. Com um melhor acesso à internet no campo, existem diversas ferramentas tecnológicas chegando ao setor. Como os robôs que tocam o gado, drones que contam o gado e avaliam o estado das pastagens, até as ferramentas que auxiliam o produtor a comercializar melhor a sua produção.um exemplo são as plataformas inteligentes agromove, que através de analises de informações da cadeia, auxilia o produtor a encontrar os momentos adequados para vender a produção ou comprar seus insumos.

Com a redução da mão de obra e a baixa qualidade da mesma, há uma urgente necessidade de o produtor adotar tecnologias que melhorem sua eficiência produtiva e o uso da mão de obra.

Tendências regulatórias

A abertura de mercados e o maior comercio mundial também trazem desafios para as cadeias produtivas. Passamos a ter que respeitar as regras de outros países, além das que regulam nosso mercado.

Aqui podemos citar as regulamentações ambientais e sanitárias. Muitas industrias do varejo mundial já estão exigindo a origem dos produtos de regiões onde não á desmatamento. Esta demanda tem levado muitas industrias a exigirem do produtor os certificados de origem.

Na China, devido ao alto risco de contaminação, e o medo de intoxicação, diversas pesquisas tem indicado, que as questões de segurança da carne estão em primeiro lugar nas exigências do consumidor. Os fornecedores que apresentam mais informações sobre a origem, terão preferência e melhores condições de preço.

Tendências sociais e culturais

As tendências podem afetar fortemente uma cadeia produtiva. Pois alguns países e regiões estão crescendo no mundo e apresentam questões culturais quanto ao consumo da carne bovina.

A China por outro lado, é o maior mercado de carne para as próximas décadas, apesar do lento crescimento da demanda.

Tendências socioeconômicas

As tendências socioeconômicas também podem trazer riscos ou ameaças para a cadeia produtiva. O menor crescimento mundial e a desaceleração do crescimento populacional reduziram a taxa de crescimento da demanda por carne bovina de 1,7%, na última década, para 1,2%, na próxima década.

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